Nossa ilustríssima president
A, disse na manhã de ontem que o governo através da Anatel irá
cobrar metas de qualidade para as operadoras de banda larga no país. A alegação de que os consumidores recebem cerca de 10% do contratado foi um dos motivos para esta regulamentação por assim dizer.
Inicialmente as empresas serão obrigadas a oferecer 60% do contratado e a exigência para 2014 é que as operadoras forneçam 80% do contratado. Operadoras como a GVT se vangloriam de já fornecer garantias de 50% do contratado.
O
estudo iniciado pela Anatel será sem dúvida um grande avanço neste sentido, porém creio que nem todo usuário hoje teria motivos para reclamar de sua conexão, a princípio. Vejamos:
Ao ligar para uma operadora qualquer e reclamar que a conexão anda lenta, o atendente irá dar a alegação de que a operadora dá garantias de cobrir somente 10% do contratado. É exatamente no desconhecimento da conversão de bits e bytes que atendentes e assinantes acabam sendo de certa forma "enganados".
Primeiramente com relação ao plano. Se eu contrato um plano de 1 mega, eu estarei contratando um plano de 1Mbps ou seja Megabits por segundo, e não popularmente 1 mega com referência a Megabytes, que de certo ponto seria relacionado a tamanho/quantia. Partindo deste ponto, se em um download de uma fonte confiável me der uma taxa de transferência EM KILOBYTES (KB/s), de 120KB/s, não necessariamente estaremos pagando e não recebendo.
Serviços de dados são qualificados pela velocidade em bits por segundo e múltiplos ou seja, Kb/s, Mb/s, Gb/s e etc... Ao contrário da parte lógica, ou seja, navegadores e gerenciadores de download que trazem os dados em bytes (KB/s, MB/s).
Lembrando meus velhos tempos como instrutor em uma Aula 1 de Windows... com um cálculo simples e arredondado chegamos a conclusão:
1 bit (b) = 8 bytes (B).
1024 KiloBits (Kb) = 1 Megabit (Mb)
1 Kilobyte (KB) = 1024 bytes
1 Megabyte (MB) = 1024 Kilobytes (KB)
1024 / 8 = 128KB/s Kilobytes por segundo
MB é totalmente diferente de Mb, assim como KB também é totalmente diferente de Kb.
Se temos uma taxa de 120KB/s, ao multiplicar o valor 8, chegamos ao total de 960Kbps, ou seja daria aproximadamente 90/94% do contratado. Se em um plano de "1 mega" nós fossemos receber somente 10% do contratado, as taxas de transferência seriam em torno de 10KB/s. Só a título de comparação, a internet discada lá no inicio dos anos 2000 tinha/tem uma taxa de transferência de 4 ~ 4.5KB/s, 5KB/s se você conseguisse uma excelente conexão com o provedor.
Um plano de 10Mb por exemplo, se eu tiver uma taxa de download entre 1,1MB/s ~ 1,2MB/s, estarei praticamente com 100% do contratado.
Dentro de sua própria rede a operadora terá sempre uma taxa de transferência próximas do contratado. Geralmente os modems sempre irão sincronizar com a central em uma velocidade até mesmo um pouco acima do contratado, atingir 100% será muito difícil devido a vários fatores como por exemplo distância do DSLAN (central), degradação do cabeamento externo (cabeamento dos postes) e por este motivo a sincronização geralmente tem um valor um pouco maior, exatamente para compensar estas perdas que ocorrem no caminho.
Operadoras mundo a fora também só garantem banda completa dentro de sua própria rede, havendo redução ao se comunicar com as redes de outras operadoras no mesmo país ou saída do país.
Sites de hospedagem de arquivos como o falecido Megaupload, Rapidshare entre outros, além de conexões P2p, não podem ser levado inteiramente em consideração para avaliação da conexão por restrições impostas para clientes gratuitos e no caso dos métodos P2p limitações impostas pelo conjunto de usuários que esteja participando do download/upload naquele momento.
Os grandes problemas da banda larga brasileira passam por outros fatores que não somente este de velocidade final para o cliente. Com o cada vez mais iminente crescimento de conteúdos sob-demanda, propagação em massa de serviços como youtube, upload de fotos cada vez com definições maiores, vídeos em alta definição que possuem tamanho bem elevando, acaba gerando uma necessidade ainda maior de velocidades superiores.
Em algumas regiões sequer ainda possuem serviço de banda larga, quem quer acessar a internet acaba dento que optar pela internet discada, totalmente desfavorável aos padrões dos websites de hoje que possuem bastante conteúdo multimídia, animações e afins, e em poucos casos da interent 3G.
Acaba sendo louvável a criação no
PNBL que ajudará a levar uma internet relativamente rápida para estes locais através de provedores pequenos.
Podemos citar também a saída do tráfego de dados do Brasil que ainda é um tanto "restrita", o que faz com que um site hospedado na Europa por exemplo, tenha seu acesso bem mais lento do que seria se o site estivesse hospedado aqui no Brasil.
Não creio ser necessário falar das
rotas (saídas de tráfego), de
ping entre outros assuntos por já serem de cunho mais técnico porém de igual importância e que nem sempre tem tanta atenção das operadoras.
Só esperamos que ao menos desta vez as operadoras passem a fornecer um serviço digno, a começar pelo atendimento em que a proposta de atendimento em 1 minuto nem sempre é cumprido. O governo precisa passar a ouvir mais os especialistas da área para elaborar planos de metas melhores para elevação de qualidade dos serviços de comunicação e espero que isso seja feito para os planos que virão, afim de oferecer sempre o melhor para o assinante.